29 de julho de 2008

SALÁRIOS DE GESTORES PÚBLICOS

Parece-me um exagero as pessoas acharem de mais que um gestor público possa ganhar perto de 37.000 euros, 14 vezes por ano. Além do motorista, ajudas de custo e alcavalas várias.
É verdade que a maioria faz um trabalho ruinoso e prejudicial ao país.
Mas, coitados, para o que eles ganham, muito fazem eles.
O meu coração está com esses quase-sem-abrigo....

O QUE SE ENSINA E O QUE SE QUERIA ENSINAR

Leio com alguma atenção, as 222 páginas dos programas para o Ensino Básico (até ao 9º ano, portanto).
Parece-me bem. Na generalidade, a coisa parece-me bem elaborada a nível de objectivos gerais e até específicos. O que se quer que os meninos saibam no final destes anos, poderia ser melhor, mas é bastante bom.
Então onde é que a coisa falha? Como é que ao fim de 9 anos, mais se incluirmos a pré-primária, os objectos dos programas sabem tão pouco. 90% passam ligeiramente do estado de "embrutecidos" e menos ainda de "ignorantes totais".
O ministério parece que concluiu que a culpa é dos professores.
Os professores que é do ministério e dos seus programas excessivos e frequentemente alheados da realidade....
Mas,se como foi referido atrás, os objectivos eram bons, como se explica esta última hipótese.
Quando olho mais de perto as sugestões (lidas pelos professores como "ordens") de operacionalização, vejo o início do aborrecimento, tédio e desinteresse a começar. A irracionalidade desponta e o disparate dispara. A forma como é proposta aos professores que façam "chegar a matéria" é fraquita, para não dizer mais.
Estes, por seu lado, aceitam a sua aplicação como o "dever do funcionário". Se derem aquilo assim, ninguém os chateia. O que é verdade.
Ninguém, a não ser... os objectos do seu trabalho, os alunos.
Criados numa sociedade entorpecente, ligados pelo rabo ao sofá e deste à televisão e ao computador, esperam que a escola os sirva de bandeja, sem pedir nada em troca. A maioria dos alunos portugueses imagina que a aprendizagem se faz deitado numa "chaise longue" romana, por isso,não podem deixar de achar duros os assentos da escola.
Dos meus contactos com os 3 lados do problema, sai-me a certeza de que ninguém ouve ninguém. E de que ninguém está realmente CONTRA ninguém (mesmo os sindicatos estão apenas a favor da manutenção da mama inútil que é o seu, por assim dizer, trabalho).
Sempre que propus actividades criativas e estimulantes ao Ministério, aos professores ou a alunos, todos reagiram com boa vontade, nalguns casos com entusiasmo. Nenhum se chateou de ajudar, trabalhar mais ou esforçar-se para aprender. Logo, é possível mudar as coisas.
Não acredito que isto se resolva nos tempos mais próximos. Porque daria trabalho, obrigaria a repensar o modelo de escola e o acto de ser aluno.
E, contudo, a minha experiência só me confirma que sim, que seria possível...

28 de julho de 2008


CRESCER
é entender que se deve estar no mundo como uma matriarca no meio das crianças: elas correm, gritam, acusam-se umas às outras, caem e partem coisas, enquanto a matriarca mexe o tacho da comida e pensa que esta Primavera está um pouco mais fresca que a do ano passado.

21 de julho de 2008

LA BEAUTÉ

Olhando a... beleza exótica de Manuel Ferreira Leite, percebe-se com dificuldade a sua insistência na necessidade de procriar.
Digo eu, sei lá. Também há a teoria de quem feio ama, bonito se reproduz...

16 de julho de 2008

A POBREZA

É impressão minha ou os vãos de porta e a entrega de alimentos na "sopa dos pobres" têm cada vez mais pessoas?
O BASTONÁRIO

Quando foi eleito, um amigo meu, ex-advogado, mostrou-se desconfiado com a sua prosápia. Acha que muito do que o actual bastonário da ordem dos advogados afirma é inflamatório mas pouco consistente.
Talvez seja. Mas a urticaria geral que as suas declarações provocam sempre que fala em diminuir os privilégios de alguns, repito, alguns, advogados e dirigentes da ordem, fazem-nos desconfiar do fogo que haverá por detrás do fumo. Números como 5 milhões de euros anuais de cotizações atraem, de certeza, os ambiciosos, os de pouco escrúpulo e aqueles que acham que Deus os colocou na Terra para nos iluminar a todos (os que não entraram para a magistratura, quero dizer, porque esses nem se sabe quem os colocou no trono altíssimo de onde nos regem...).
Eu, por mim,não sei. Mas vejo os edifícios onde a ordem se abriga. Os restaurantes onde comem. A forma como saltam dos postos administrativos para a riqueza.
Peço desculpa, terão muita razão em nos dizer que o homem gosta de incendiar o caminho, mas não acreditem que estamos todos cegos para acreditar nas exclamações indignadas de advogados. Até porque "verdade" e "advogado" (sobretudo, funcionário de uma ordem corporativa que não permite a quem exerce a profissão não lhes pagar mensalmente) nunca na vida serão sinónimos.

14 de julho de 2008

REGRESSA-SE, OITO DIAS DEPOIS DE ESTAR NO MAR, O CORPO AINDA QUENTE DO SOL QUE QUE FICOU PARA TRÁS, A SUL, NOS AREAIS, O PÉ (AGRADECIDAMENTE) FERIDO POR TER PISADO UM BICHO MARÍTIMO NUMA NOITE EM QUE SÓ HAVIA A LUA, AS ESTRELAS EM CRESCENDO, E O VAGO CHEIRO DOS ARBUSTOS QUE CHEGAVA DAS ENCOSTAS BAIXAS. UMA SEMANA, QUE NÃO É NADA, E AINDA ASSIM, FICAMOS EM PAZ.
nestas alturas, toda a música faz sentido.

6 de julho de 2008

OUT OF THE OFFICE...
A BOLA NÃO TEM JUÍZO

Devo estar a ficar velho, ou era muito criança no tempo em que o futebol era apenas um jogo e toda a gente torcia por este ou por aquele, sem pensar no dinheiro que se ganhava ou deixava de se ganhar.
Nas últimas duas décadas, pelo menos, a tomada de consciência de que o futebol interessava a milhões e que se podia fazer toda a espécie de manigâncias para assegurar que o dinheiro continuará a nascer nos bolsos de muitos enquanto não viaja para paraísos fiscais, terá mudado tudo. A guerra se um clube é melhor do que outro perdeu toda a sua carga ingénua. Há muito que se trata apenas de manipulação de adeptos e extorsão de "acções", "incentivos" e "apoios". As fortunas gordas associadas a este desporto não surgiram do nada e, sobretudo, mantêm-se com muito trabalho. Isso envolve a corrupção de quase todas as estruturas do país, das autarquias aos tribunais, às finanças mais ou menos locais e provavelmente, a partes dos diferentes governos que temos tido ao longo dos últimos 20 anos.
Quando se fala do F.C.P. não participar das competições europeias, não se está a falar de futebol, mas de milhões de euros de prejuízo, dinheiro que algumas pessoas não vão receber. O mesmo se aplicará a muitos outros clubes, incluindo o Boavista e, todos os que enriquecem com a, apropriadamente chamada, "Liga Milionária".
O discurso deste senhor do "Conselho de Justiça", usando todos os recursos ao seu alcance para impedir que o resto dos "conselheiros" (acácios, por certo) decidisse contra os interesses que defende é a prova que tudo está inquinado. Se há juízes que se defendem assim, sabendo-se de antemão as suas ligações às partes interessadas, então o que temos a temer está muito para lá das intrigas futebolísticas. Está nas salas de audiência a sério. Nos lugares onde a vida das pessoas é decidida por gente como esta. Pessoas que protegem as mais discutíveis convicções por detrás do jargão jurídico e da propaganda da predominância da forma sobre sobre a substância.



ps: se alguém vir onde param os jogos de bola da minha infância, os que se jogavam e os que se coleccionavam em cromos, com a sua carga de entusiasmo e inocência, faça o favor de me informar...

4 de julho de 2008



ELES RESISTEM

Por mais que as televisões se esforcem por transmitir a ideia de que os livros ou desapareceram da face da terra ou são tão banais que até um dos seus apresentadores é capaz de fazer um, a verdade é que a Literatura resiste.
De todo o lado me chegam notícias de grupos informais de leitores. Gente que se organiza, uma vez por mês ou quando calha, para falar de um livro ou poema que todos leram.
Tvi, RTp e Sic vão ter de continuar a insistir, porque pelo andar da carruagem há-de sempre haver quem tenha energia para carregar no off do comando, de vez em quando. E, entre as páginas escritas por outro, romper um pouco a alienação.

3 de julho de 2008

NÃO SEI DE QUE GOVERNO É QUE O SENHOR FOI MINISTRO DAS FINANÇAS

Mas há muito tempo que não ouvia um economista/ex-ministro a falar de forma tão directa.
As crises têm coisas boas. Uma delas é começarmos a falar verdade.
A entrevista de Medina Carreira (por enquanto) pode ser vista aqui.

1 de julho de 2008


O SEGREDO DO CUSCUZ (LA GRAINE ET LE MULET)

Para quem ande distraído, ainda está em sala o formidável filme de Abdellatif Kechiche. Não se sabe o que é melhor, se o argumento, se o trabalho de actores ou a realização.
Vale cada cêntimo , do bilhete.
Aqui podem ver o trailer.
DEVAGAR, DEVAGARINHO...

Por coincidência, nos últimos dias, tenho falado com várias pessoas conhecidas dos princípios da Programação Neurolinguística. Ouvem-me com atenção, mas ainda não acabei de falar já lhes leio no rosto as marcas da descrença. "Pá, não me convences". E argumentam com as rotinas, os argumentos que a escola lhes vendeu há muito tempo ou as defesas que os embates com as coisas lhes deram. Ainda não apareceram comentadores sérios, na televisão a dizer que sim, senhor. Por isso a Pnl não ainda não pode existir.
Há vários anos atrás, obtinha a mesma reacção quando falava de Inteligência Emocional ou da necessidade de um profissional desenvolver competências inter e intrapessoais, que lhe serviriam tanto no trabalho, como na sua actividade. Nessa altura, nada. Agora, anda tudo a inscrever-se em "formação comportamental".
Pensando bem, quando no início dos anos 90 defendia que toda a gente iria usar e-mail, por me parecer a mais óbvia das coisas, pela rapidez e facilidade de processo, só levava para casa reacções de troça.
E assim, por diante, quando olho a minha vida até lá atrás.
Isto, dantes, chateava-me. Que os outros não vissem o que me entrava pelos adentro. Não por ser mais esperto, mas pela e-v-i-d-ê-n-c-i-a. Agora, olha, que se lixe!
Com o tempo habituamo-nos, não a ir a pé com os outros (também era o que faltava!), mas a ir pensando para frente, enquanto pedalamos muito devagarinho ao lado do rebanho.
Fazer o quê?!

28 de junho de 2008

TOCARAM-ME À PORTA

eram duas senhoras, jovens, chinesas, carregadas com bíblias e panfletos.
"Estamos a investigar sobre o Deus-Mãe".
Ficaram um bocado chateadas quando lhes disse que o assunto não me interessava e fechei a porta.
Mais adaptada à circunstância se mostrou a minha vizinha de cima. As gargalhadas dela devem ter-se ouvido ao fundo da nossa rua.
Continuo a defender: morar num bairro popular de Lisboa, é surpreendente!

26 de junho de 2008

OS DIAS

Ia aqui escrever sobre os dias. Sobre a tentativa que quase todos fazemos de ser melhores pessoas, em cada manhã. Depois do tempo em que existíamos, simplesmente. Do seguinte em que atravessámos a fase magoada com a incompreensão do mundo a nosso respeito. E da seguinte, a do cinismo com as coisas. Volta-se, agora, atrás. Como se começássemos de novo mas sabendo que caminhámos sobre a beira de um abismo. E que é uma questão de tempo até que as ossadas que avistamos daqui nos recebam com um suspiro de alívio.

24 de junho de 2008

MARCHA DE ORGULHO GLBT

A gay parade portuguesa está de volta,dia 28 Junho, às 16h00 no Princípe Real. Aberta a todos os que acham ainda haver caminho a fazer pelos direitos dos cidadãos.
Sim, é capaz de ser mais exuberante do que muitos gostariam. E sim, os operadores de imagem das televisões só vão procurar aquilo que os seus preconceitos lhe indicam como "supergay". Porque é o que vende num país em que tudo está à venda. Mas ainda assim, faz sentido. Ainda mais quando a imprensa continua dominada por gente que se sente obrigada a dormir dentro do armário. Ou de homofóbicos que só revelam a sua opinão entre amigos, sendo o resto do tempo, gente "muito simpática", "tolerante" e que "tem muito orgulho em ter um amigo gay" (Ora e se estes fossem todos à merda com mania de que há gente de primeira e gente de segunda! digo eu...).
Bom, fica a indicação. Cada um saberá de si.

22 de junho de 2008

A REFORMA

Parece que há um ex-deputado do PSD, administrador da PT (o que é uma redundância, como se sabe) que acha pouco receber 17.900 euros de reforma por mês. Segundo o senhor não se comparava com os 27.000 euros que ganhava antes. Consta também que uma das suas últimas secretárias recebia quase 3.500 euros de salário bruto e o motorista 3.300 eur. Foi secretário de Estado de Cavaco Silva na época de maior despudor e novo-riquismo que este país já conheceu.
Penso de novo nas mulheres idosas a pedir esmola no metro porque a reforma não lhes dá para comer e só me vêm à cabeça formas bárbaras de punição a aplicar a um alarve destes...
E quando penso nos milhares de pessoas que têm os seus créditos e salários penhorados porque não têm 600 ou 800 euros para pagar irs em atraso, visualizo mesmo, um par de pés descalços, com as solas para cima e uma régua fina a descer em direcção à pele velha mas tratada...

18 de junho de 2008

OLHA: ELA ACORDOU!

Enquanto foi, por assim dizer, Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima não fez rigorosamente nada. N.A.D.A. Obra ZERO. A única iniciativa com algum mérito que se lhe viu, foi logo no princípio apear a turma snob que regia o Teatro Nacional. Em termos de conceito, a coisa melhorou um bocadinho, depois disso. De resto, foi uma nódoa, igual a essa coisa de cabelo lambido, chamada S. Lopes.
Agora, depois de reformada é que lhe deu para ser activa. Lembrou-se até de escrever no jornal uma coisa óbvia para quem esteja atento, o facto de a Cinemateca Portuguesa estar nas mãos da família Bénard da Costa. E que o referido senhor não faz, nem sai de cima. Nomeadamente no que toca a permitir a outras cidades (leia-se o Porto, claro - se não se tratasse da cidade de onde é originária, não estou a ver a sra. Pires de Lima a mexer a desgrenhada vontade, como ficou amplamente provado no seu "mandato - melhor seria "mandado", no sentido de uma função atribuída a uma criança pela mãe, o Pai, no caso)mostrarem a história do cinema.
É óbvio que isto é verdade. Que a Cinemateca tem tido um comportamento de preguiça, rotina e falta de visão, gritante. Também me parece claro que a coisa não vai mudar em vida do referido senhor, que como se sabe considera, tal como os antecessores, o cargo vitalício. E é igualmente óbvio que o espólio da Cinemateca Portuguesa deve chegar (mesmo sob a forma de outros suportes) ao resto do país.
Foi pena que a Dona Isabel não se tenha lembrado disso no tempo em que ministeriava. Ou talvez se tenha apenas deixado amedrontar por algum avental mais ameaçador...

15 de junho de 2008

GOSTO DE JUNE MADRONA

CRESCER

Faço com que tudo me sirva de ajuda: uma frase lida de relance, um livro em que não reparava há algum tempo, o olhar para trás para os erros que cometi.
Nunca se chega a gigante por dentro, mas também não damos pelo crescimento das plantas e contudo elas chegam a alturas surpreendentes...

12 de junho de 2008

OS NOSSOS MENDIGOS

Com o passar dos anos, nas grandes cidades, fica-se indiferente à turba de pedintes. Quando sabemos que cegos e romenos se organizam em máfias para manter o exclusivo, endurece-se o coração.
Mas às vezes, quando vemos uma senhora "normal", vestida com roupas iguais às das mães daqueles que têm mães de classe média, e as vemos estender a mão e mendigar, quebra-se de novo a couraça. Já não é um mendigo que está ali, mas sim um dos nossos pais ou avós. E na sua desgraça reflectimo-nos todos.

11 de junho de 2008

COMEÇAMOS TODOS MUITO LÚCIDOS

a protestar da parvoíce do ânimo dos portugueses depender dos resultados do futebol.
Mas depois torna-se evidente que em época de crise, tudo o que sirva para dar alguma alegria às pessoas é válido.
Ora, que se dane: Portugal óéé!!

8 de junho de 2008

SOBRE O SENTIDO PATRIÓTICO

onze jogadores em campo, bandeiras chinesas na janela, e gritaria se a coisa corre bem.
Quanto ao aumento de produtividade, necessidade de fazer sacrifício ou governar a vida sem gasóleo subsidiado pelos contribuintes, nada.
Portugal julga ser o Ronaldo da Importância. Infelizmente, não passa de um clone da irmã, a artística Ronalda.

SOBRE A UTILIDADE DA CGTP

um número basta: 0 (zero)

4 de junho de 2008

AFINAL, AFINAL, ISTO NÃO ESTÁ NADA MAL!

Leio com alegria, no jornal, que Portugal tem a droga mais barata da Europa. Que o grama de cocaína andará pelos 40 euros. O que parece que é barato.
Opá, numa altura em que a comida se tornou impossível, não se consegue pagar as rendas de casa nem os impostos (e multas) em atraso, só esta notícia poderia alegrar os portugueses.
É que mesmo sem experiência, deduzo que ao enfiar aquilo narinas acima a malta até se deve esquecer do país onde vive!

ps: é com a mesma alegria que vejo que os primeiros dias do Rock In Rio registaram mais de 200.000 espectadores. Mesmo com os pais em aflição, os nossos jovens não se privam. É assim mesmo!

ps2: depreendo que a principal razão da presença da Amy Whitehouse tenha sido a barateza do nosso custo de... droga. Ou então, foi mais nobre e veio homenagear a qualidade dos enólogos portugueses. Bem vinda à Matrix, em qualquer dos casos.

2 de junho de 2008

AO RELER...
textos antigos, escritos com mais paixão do que sabedoria, fico contente por algumas portas se terem mantido fechadas para mim.
De que me serviria esbracejar num salão recheado de cristais antigos?
FUTE-TV

A televisão pública portuguesa é uma maravilha. A forma como cobre cada incidente futebolístico, cada estado de espírito de qualquer jogador deste a selecção nacional às ligas regionais, cada novo equipamento, a relva nova de um estádio, ou a opinião dos cidadãos mais afastados da capital a propósito dos lances mais banais... é um hino ao que deve ser um serviço público de televisão.
Se não fosse pela obrigação social de sustentar milhares de funcionários, a RTP já teria os 400 milhões de euros justificados, apenas por este interesse pelo futebol.
A única coisa que sugeria é que em vez de um director de programas contratassem... um "mister".

29 de maio de 2008

VOLUNTARIADO

Há sempre tempo quando se percebe que o tempo é um espaço que cavamos por dentro de nós.
DIGRESSÕES

Amanhã estarei na Escola Secundária de Santiago do Cacém. Palestra, de manhã, e sessão de Escrita Criativa ao início da tarde.
Confrontar os alunos do secundário que conhecem o meu trabalho dos livros de estudo com a frase "Já não há heróis". Ou, como diria Caetano Veloso, "Ou talvez não..."

23 de maio de 2008


HELP!



Ao longo dos últimos meses deixei acumular uma tal pilha de papéis de natureza vária sobre a minha mesa que se torna necessário ter muita coragem para a atacar.
Na verdade, enquanto escrevo isto, descubro que vivem formigas lá debaixo... Das duas, uma: ou a minha escrita adoçou ou andam mais coisas lá para o fundo do que papéis.
A CHATICE DA GENÉTICA SOCIAL

Está-nos no sangue, como ouvir o José Cid ou a comédia portuguesa dos anos 30: ver a volumosa cantora madeirense passar à final do Eurofestival da Canção provoca uma vibraçãozinha qualquer.



ps: claro que o facto de não termos estilistas ou coreógrafos de nível internacional voltou a ficar escarrapachado nas nossas caras vermelho-e-verde... Mas enfim, a rapariga lá deu o melhor de si.

21 de maio de 2008

A RITA ENVIOU-ME ESTE TEXTO DO WOODY ALLEN QUE EU JÁ TINHA LIDO, MAS ESQUECIDO

'Next Life' by Woody Allen

In my next life I want to live my life backwards. You Start out dead and get that out of the way. Then you wake up in an old people's home feeling better every day. You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day. You work for 40 years until you're young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol, and are generally promiscuous, then you are ready for high school. You then go to primary school, you become a kid, you play. You have no responsibilities, you become a baby until you are born. And then you spend your last 9 months floating in luxurious spa like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm! I rest my case

18 de maio de 2008

DAS COISAS SÉRIAS

Tenho verificado ao longo dos anos que os portugueses têm especial apreço pelas pessoas "sérias". Não as honestas ou francas, mas aquelas que fazem afirmações públicas de rosto severo. Ou que em vez de produzirem pensamento próprio preferem repetir o que leram nos manuais escolares, sobretudo nos de Filosofia de 11º ano.
Eu confesso que não tenho dado mostras desta razoabilidade medíocre. Mas há um tempo para tentar tudo.
Assim, aqui fica este vídeo de uma das nossas maiores referências. Alguém que diz aos outros como estar na vida. Sem as hesitações de quem pesa o passado, o presente e as hipóteses de futuro.
Quem sabe se um dia a nossa imprensa não dará tanta atenção às palavras de um escritor como de momento lhe dá a ela....

16 de maio de 2008

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO MERCADO

Dizem-me, por telefone, que fui comprado pela Leya. Eu e os outros que confiámos na Oficina, na Caminho, na D.Quixote, etc. Não sabemos nada do assunto, claro. Nem me parece que dessa venda reverta alguma coisa para as fontes de produção, vulgo, os escritores. Há-de ser mais uma coisa tipo escravos. Toma lá este que é bom para cortar cana, e esta que é boa parideira e passa para cá os luíses. Sobre este assunto, muita coisa terá de acontecer até que a poeira assente.
Entrentanto, a APEL faz finca-pé nos pavilhões nojentos onde nos recebe ano após ano. Para não haver ricos nem pobres, somos todos pobres. Era bom que tivessem juízo, nesta questão estético-ética.
Quem parece estar "atento ao mercado do livro" é o ministro da cultura. E contente, também, segundo os jornais (que a realidade raramente se compadece com a matéria escrita). Segundo os pasquins, José António Pinto Ribeiro, diz ver "com bons olhos" a constituição de monopólios editoriais (...) e que "o mercado do livro está em mutação acelerada e a concentração de editoras em grupos empresariais é um factor de desenvolvimento da língua portuguesa e da sua divulgação".
Ou está a precisar de mudar de lentes ou eu - citando uma directora de produção amiga - não estou na posse de todos os dados...

14 de maio de 2008

GLOBOS DE OURO

Enquanto não arranjo tempo para publicar um vídeo clandestino (lol), vou adiantando que fui (primeira e última vez) à festa dos Globos de Ouro. Sim, de smoking. Sim, alugado. Não, não foi barato e sim, estava horrível :)
É um espectáculo a não perder. Desde o povo que veste o seu melhor fato para se ir colar às baias que separam, na rua, a passadeira vermelha e as estrelitas, do resto ( e que gritam à desmesuradamente alta, loura... e igual a tudo o que se imagina, Bibá Pita!: "Ai linda! Bibá, um autógrafo!")até à Cinha Jardim, a dar golpes na fila do bufet, passando à frente de toda a gente como se estivesse na faculdade e o jantar fosse frango...
Mas o prémio da noite foi atribuído, mais uma vez, à inenarrável tia Bobona. O seu chapelinho prateado de palhaça arrebatou qualquer tentativa de destaque de Bárbaras, meninas de telenovelas e socialáites profissionais.Podem-lhe chamar bobona, mas para mim, será sempre uma senhora de se tirar o chapéu... (imaginem esta frase com música de circo...).
Oh, valha-me Santo António dos Cavaleiros!

11 de maio de 2008

O QUE VEM DE CIMA

Ontem levei com o armário de parede na cabeça.
Para quem não tenha experiência, conste que basta uma parede de um prédio antigo onde as buchas e parafusos agarram a custo, uma colecção de copos, chávenas e garrafas e estar por baixo na hora errada.
O resto resume-se a um barulho ensurdecedor, a vida a passsar diante dos olhos e uns galos na testa.
Bom, é bem verdade que eu queria mudar de copos, mas escusava de ser tão radical...

5 de maio de 2008

REGRESSO

atarantado às lides. Ainda com os olhos habituados a ver filme sobre filme. Os pés no vício de percorrer a Avenida de Roma, rua abaixo, rua acima. O divertimento de subir ao palco e inventar disparates para pais e criançada, antes do assunto sério que são os filmes e os concertos. Ou de trabalhar para fazer sentir a espectadores e realizadores que o Indie é primeiro que tudo, uma festa. A festa do cinema que existe por paixão, ano após ano.
Pronto, amanhã recomeça a vida.

28 de abril de 2008

SINAL VERMELHO DE OCUPADO!

Amigos, por mais uns dias, não posso falar.
Por razões indies, naturalmente.
Volto assim que sair do coma cinematográfico, a 4 de maio.

22 de abril de 2008

NÃO, NÃO É NORMAL

O actual Secretário de Estado dos Desportos (creio que a designação andará por estes lados) declarou ter herdado uma dívida de 2 milhões de euros, do governo Santana Lopes, destinada a subsidiar as corridas de fórmula 1 de um piloto português. Pareceu-lhe "normal" honrar este compromisso, além das consequências jurídicas que teria não o fazer. 400.000 contos, em moeda antiga, para a gasolina do menino.
Se houvesse alguma dúvida sobre a imbecilidade irresponsável de Santana Lopes, bastaria isto. Infelizmente não há. Num país civilizado, a quantidade de actos danosos praticados por este político já o teriam metido na cadeia. Cá, "é normal". A tal ponto que já está de novo, no parlamento (e até "pondera" voltar a candidar-se à liderança - por assim dizer - do seu partido).
Mas voltando aos 2 milhões de euros, quando penso na relutância em se apoiar uma bolsa literária de mil euros, com a desculpa que bem podem os escritores ir trabalhar que quando voltarem para casas ainda lhes sobram muitas horas para a brincadeira, e que permitiria fazer um bocadinho de luz neste mundo confuso, não sei que diga... Ou que não quando não apoia atletas de modalidades menos televisivas e que insistem em ganhar medalhas de ouro. Que gente é esta, que propõe o luxo e nega a necessidade? Que gente é esta que "honra compromissos" com a futilidade, mas não os assume com quem aumenta a qualidade deste país.
Eu disse "pais"? Pois disse. À falta de melhor expressão.

20 de abril de 2008

INDIE

Começa na próxima semana.
É sempre espantoso o que uma equipa mínima consegue fazer. Está cada vez maior nas apostas e reconhecimento nacional e internacional. Do meu ponto de vista, é um case study nacional, porque conseguiu em 4 anos (5 edições, com apoios mínimos institucionais (lembre-se que em todos os concursos, anteriores a 2007,de apoio à elaboração de festivais de cinema, recebeu muito menos do que, por exemplo, Vila do Conde (curtas) ou Fantasporto (cinema fantástico))tornar-se no festival com mais público do país. E os festivais não se fazem para os amigos, fazem-se para as pessoas.
É verdade que estar em Lisboa, onde os jornalistas quase todos moram, gostando a a maioria muito pouco de se mexer, ajuda. Mas está longe de ser a razão principal. Qualidade e trabalho são o segredo deste sucesso. Nacional e internacional. Este ano, por exemplo, as extensões previstas chegam a 8, em diversas cidades europeias e americanas.
Nem foi preciso gastar o dinheiro dos apoios em publicidade paga na Variety, ou em stands de luxo, em Cannes. Foi só preciso trabalhar... e perceber de cinema.

Mais informação aqui.


ps: claro que o melhor do festival é o IndieJúnior. Mas não contem o segredo à imprensa ;)

18 de abril de 2008

QUASE UMA DA MANHÃ

Tenho uma encomenda de texto em atraso. É tarde na noite. Para quem teve pouco tempo para dormir, a madrugada passada.
Tenho um texto para escrever.
E só uma frase: "No meio de uma sala a cheirar a cera, há uma gaiola dourada com uma mulher dentro"...

16 de abril de 2008

CONRAD

Por razões misteriosas, o livro O CORAÇÃO DA TREVAS, do Joseph Conrad, escapou-me todos estes anos. Andou ali pela prateleira, em edição de saldo, e nunca o tinha lido. Conhecia outras obras do autor e a devoção que tanta gente tem por ele. Mas não tinha calhado.
Peguei-lhe agora. E, embora, a tradução me pareça fraquita, basta uma descrição destas, para um escritor/leitor se pôr de joelhos:

"Uma rua estreita e deserta que mergulhava em profunda sombra, edifícios altos, inúmeras janelas com persianas, um silêncio de morte, erva a crescer entre as pedras da calçada, à esquerda e à direita imponentes entradas de carros, portas imensas de dois batentes, sinistramente abertas."

15 de abril de 2008

A DESCOBERTA DA PÓLVORA QUANDO ELA NOS ESTOURA NA CARA

Um pateta apresentava na tv, uma notícia de telejornal que começava assim: "Há AGORA um novo fenómeno nas escolas chamado "bulling", a violência de alunos contra outros alunos". Na verdade, a notícia deveria ser: "Há agora um novo tipo de jornalistas chamados "ignorants-no-brain-at-all".

Só alguém muito estúpido, ou muito distraído, pode pensar que o bulling é um fenómeno novo. Como se diz nos livros fraquinhos "desde tempos imemoriais" que rapazes torturam rapazes e raparigas outras raparigas, pelas mais diversas razões. Por serem gordos, ou feios, ou filhos de pais divorciados, ou pobres, ou efeminados, ou masculinizados(as), ou apenas por serem mais fracos e não se saberem ou poderem defender. As torturas podem ser físicas (como um rapaz transmontano que um dia me escreveu) ou psicológicas, ou um misto das duas. Desde sempre que pudemos encontrar miúdos encolhidos em recantos escuros da escola, à espera que toque para entrar, ou que todos já estejam vestidos no balneário, ou a correr para casa, antes que seja tarde de mais.
Sempre assim foi e, provavelmente, sempre assim será. Porque a infância e a adolescência não são apenas aquela coisa perfumada e inocente em que gostamos de acreditar, mas sim, a porta de entrada da crueldade ou da bondade humanas. Apenas com menos filtros. Como o tabaco em bruto.
Eu próprio fui vítima de bulling entre o 8º(2 vezes) e o 9º anos. Passei de melhor aluno da turma, a pior, do mais alegre ao mais calado. Fui perseguido e torturado psicologicamente por vários grupos de indivíduos, "inocentes-a-precisar-de-recuperação", como o ministério da Educação agora os definiria - que aproveitavam todas as oportunidades para me fazer sentir que não passava de uma nódoa insignificante no passeio. Estou hoje, aqui, vivo, apenas porque calhou. Porque a vida deu uma súbita guinada para o lado feliz, quando eu já não pensava senão em acabar comigo. Conto isto, sem particular nota de dramatismo, porque conheci tantas e tantas pessoas que passaram pelo mesmo. Era normal, nesse tempo. Algumas delas não se aguentaram e, da terra de onde venho, o suicídio não é uma palavra estranha.
Não, senhor jornalista, o "bulling" não é novo. Só a palavra. Antigamente chamava-se era "crueldade".

12 de abril de 2008




Estive a pensar o que dizer sobre o dia de hoje. Encontrei esta imagem.
O tipo descalço fora do quadro sou eu.

8 de abril de 2008

ENCORAJAR

Leio no rodapé de um jornal televisivo que o ministro da Cultura iniciou a sua estratégia de encorajamento às artes. Parece-me bem. Tenho defendido desde há muito a necessidade de se descer do palácio de Queluz aos ateliers dos artistas, já para não dizer subir aos andares elevados das zonas pobres da cidade, onde a maioria habita.
O novo ministro começou por dirigir uma palavra de apreço aos galeristas "por fazerem a ligação entre a Cultura e as Finanças". Bom, esperemos que depois de despachada a agenda pessoal sobrem incentivos vocais (ao menos) para quem DE FACTO cria.

7 de abril de 2008

FIZ ANOS, OUTRA VEZ

Raios partam a ocorrência. Enfim, adiante. Em última análise, sempre sobra o bolo e o vinho que os amigos trazem para o jantar. Sobra, igualmente, a pilha de pratos para lavar, para os que têm a mania que a comida só existe sobre pratos de louça, não reconhecendo a existência ao plástico.
À medida que o tempo passa, as nossas características tornam-se mais claras. O que somos, o que fomos, e o que queremos ser amanhã, que é o dia antes de depois-de-amanhã. Uns sonham tornar-se ricos e conhecidos. Outros esperam apenas reconhecerem-se ao espelho. Olharem o reflexo e verem a pessoa íntegra e solidária em que todos os dias trabalham para existir ou manter-se.A coincidência entre o que idealizam e a realidade. Com menos peso ou cabelos brancos, ainda assim.
Fiz anos, outra vez. Raios os partam. Tantas vezes 26, já chateia. Mas ao mesmo tempo, tenho vontade de rir, porque a brincar, a brincar ainda flutuo à superficie.

3 de abril de 2008


UMA DOSE DE PERSISTÊNCIA, APARECER NO LUGAR CERTO E UM CARÍSSIMO LOOK TRENDY....

São os ingredientes para triunfar nos meios culturais portugueses. E perceber que a notícia do desaparecimento de uma iniciativa ou da perda de um lucrativíssimo lugar de chefia, são sempre altamente exageradas.
A Experimenta Design acaba de assinar um protocolo com a Câmara de Lisboa e com o Ministério da Cultura que assegura ao evento 2, 7 milhões de euros para as 2,5 edições (a próxima é uma parceria com Amsterdão).
E ainda há quem diga que pagar cabeleireiros caros e fashion designers, e aparecer em todas as reuniões públicas entre o Poder e a cultura, não resulta.
Viagens em executiva, mundo fora: here I go!

PS: a minha frase favorita no site é "Não será demais voltar a dizer que a ExperimentaDesign – Bienal de Lisboa é:"

29 de março de 2008

EDUCAÇÃO: OS PAIS PODEM AJUDAR!

Estamos todos de acordo: a educação em Portugal depende dos pais.
Por isso, depois de uma grande consulta aos seus associados, a Associação de Pais Relax de Portugal, lançou este spot, que contém todos os valores que interessam aos Novos Portugueses.
E... Em Inglês, porque como toda a gente tinha tido nega a português, prontos... como que a gente havemos de explicar isto mais bem...?

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

No meio de todo este clima de acusação de que as escolas estariam cheias de putos ignorantes, a nossa juventude já se organizou. Depois de dias e dias de pesquisa em sites da internet, apresentam este... relatório. Ainda há esperança!



27 de março de 2008

NA MORTE DOS NOSSOS BICHOS

A coisa não começou bem. Era Maio de 98 e o cachorro não parava quieto na casa de cartão maravilhosa que se lhe tinha arranjado para a viagem. Não tinha feitio para estar preso e viajar de carro 150 km não era bem a sua ideia de divertimento. Restava pouco do cão fofinho e branco quando lhe peguei, amaldiçoando a hora em que me tinha lembrado de arranjar um cão para a minha filha; vociferando com os deuses por terem criado uma raça de intestinos e paciência obviamente moles. Sujou a caixa em que vinha, sujou-me os assentos e deve-me ter sujado a mim. Mas o final da viagem foi mais tranquilo com o Droopy a dormir com a cabeça na minha perna. Sem cinto, claro.
E assim começou tudo. No meio do campo, entre sobreiros e ervas. Um caniche que se imaginava um cão-pastor e muito maior do que na realidade era. Nunca teve medo de rafeiros alentejanos, emprenhou altíssimas cadelas e a sua mancha branca vai-me aparecer sempre, como um fantasma pelo caminho de terra que conduz à casa.

Quando os bichos nos morrem, muitos anos depois de termos decidido corresponder ao seu afecto sem reservas, nunca se consegue bem explicar aos outros humanos, que foi mais um amigo que se perdeu. A morte é sempre pessoal, por isso toca os outros de uma forma mais mitigada. E ainda bem que assim é, porque alguém deve sobrar para nos consolar.

Corre, Droopy, corre. Pelo meio das ervas que algures estarão reservadas para ti, debaixo de um céu qualquer que a gente já não consegue ver. Ladra contra os gigantes e faz a tua vida, para sempre independente. Mas que alegria, amigo, se quando chegasse a nossa hora te víssemos vir a correr, feliz, ao nosso encontro...

24 de março de 2008

UM BOCADINHO DE MÚSICA COUNTRY PARA QUE NÃO SE PENSE QUE ESTE NÃO É UM PAÍS PARA VELHOS

O PROBLEMA DA INVISIBILIDADE

Grande cagaçal à volta do coming out da apresentadora do Curto-Circuito, da Sic Radical. Quem costuma ver o programa (ainda que, por questões etárias, apenas de vez em quando) sabe que é uma das mais antigas e competentes apresentadoras do CC.
Os comentários no site do Expresso são mais do que reveladores da razão pela qual a Solange fez muito bem em vir dar a cara. A maioria prima por afirmar que "isso é um problema dela" e que "não deveria vir falar do assunto, porque se fosse heterossexual, também não vinha". É verdade. O problema é que essa "invisibilidade" também é uma forma de preconceito. Um rapaz e uma rapariga que se beijam no Metro será quanto muito "uma chatice". Duas raparigas "um escândalo que tenta convencer o mundo inteiro a ser gay".
Oh, valha-me Deus...
A Solange fez muito bem em vir dar o seu exemplo. Para que os milhares de raparigas que sofrem, caladas, no meio das suas famílias e amigos, abram os olhos. Que se limitem a ser elas. Quer eu goste, quer não. Dizer até que já ninguém tenha paciência para dar importância ao caso. Até que se vulgarize o que nunca deveria ter sido invulgar: a singularidade do espírito humano.

ps1: mais corajoso do que ter vindo dizer-se lésbica, foi o facto da pobre rapariga ter resisitido à produção de moda que lhes fizeram. O Expresso está definitivamente a tentar ficar para a História como o jornal com as produções de roupa e cabelos mais nojentas do planeta.

ps2: Epá... Este comentário foi um bocado gay... Alto será que não tenha o Expresso à perna a perguntar-me se não quero tirar umas fotografias vestido de Carmen Miranda para o próximo número ;)

21 de março de 2008

PROFESSORAS E TELEMÓVEIS

(Suspiro) Palavras para quê? É uma aluna portuguesa e usa pasta medicinal ANALFABETA PARA A VIDA. Não se agarra aos livros, mas o telemóvel ninguém lhe tira...
A quem é que esta criança estúpida irá ligar, daqui a uns anos, quando não tiver comida em casa?
Tudo o que escrevi em baixo é sublinhado por esta (vulgar)performance.

17 de março de 2008

WIND

Perguntam-me, em entrevista, se estou a escrever um novo livro.
Sim, digo. E depois de o dizer ficou tudo natural. Às claras.
Em cima, o título provisório. Aqui, um excerto (não revisto, claro), recolhido aleatoriamente:
" Passou um bando de pássaros por cima das nossas cabeças enquanto estávamos a tentar recuar no tempo, mas nenhum de nós foi capaz de lhe subir para as costas. Até que por fim, eu disse: Quis encontrar-me contigo para que pudéssemos, por uma vez na vida falar inteiramente verdade. Ele olhou para mim, as pálpebras pesadas, os papos debaixo dos olhos, as rugas a tapar a cara toda. E vi que isso nunca aconteceria. Lembras-te daquela viagem que queríamos fazer, um dia mais tarde? Sim, Gostava muito de a ter feito, de termos arranjado tempo, só os dois para andar aqueles quilómetros todos, dormir na beira da linha férrea, enfrentar a humidade e os insectos em nome de um afecto que um dia existiu, Sim, eu também gostaria de a ter feito. Queres um cigarro? Quero."
O TAMANHO DO MUNDO

Leio no Público que por ano desaparecem 27.000 espécies, enquanto, na televisão, os jornalistas me tentam convencer que as palavras de um político português em visita a um mercado "são da maior importância".
Ora, tenham dó. Ou pelo menos a noção das proporções...

13 de março de 2008

ALÔ...?! QUEM TÁ FALANDO...? É VOCÊ, DEUS?

Há pessoas que não entendem o papel do Vaticano na simplificação das nossas vidas.


11 de março de 2008

SETÔR

Tenho evitado falar em público sobre a questão dos professores. Porque me parece confusa e cheia de equívocos. De parte a parte.
A razão pela qual os professores saíram da modorra conformada em que, na sua generalidade, habitualmente vivem, tem pouco a ver com a avaliação em si. E o governo deveria ter percebido isso. Não creio que a maioria tenha grandes problemas em preencher folhas de auto-avaliação ou a ser avaliados pelas chefias. Embora saibam que a dinâmica das aulas é outra quando um corpo estranho se infiltra no grupo, todos eles (falo dos ensinos básico e secundário, já que no superior, ninguém recebeu qualquer formação para o que está a fazer...) já estiveram nessa situação aquando do estágio. E acredito que a maioria gostaria de fazer mais e melhor.
Os professores saíram para a rua porque na última década têm visto o seu trabalho a ser menosprezado. Uma geração filha de pessoas com pouca formação académica, mas o rei na barriga pelo 7º ano tirado aos coices, sediada nas franjas das cidades e vilas, tomou conta da escola. Uma escola fraca, democrática, estupidamente democrática, que não percebeu o que aí vinha. Hoje, as aulas estão cheias de desordeiros, vândalos, totalmente legitimados e desresponsabilizados pelos pais e pelo Estado. O limitte desapareceu. E quando algum professor tenta traçar uma linha é agredido, insultado pelos pais e processado pelo Ministério.
A juntar a isto, veio a ameaça de despedimento. A insegurança. A razão por que muitos aguentavam esta humilhação constante. E o medo está a empurrá-los para a frente.
Creio, sinceramente, que este governo socialista produziu mais reformas em Portugal, reformas de fundo, do que todos os governos dos últimos 30 anos juntos. Mexeu com tudo e com quase todos. E cumpriu, na sua generalidade, tudo aquilo para que foi eleito: meter ordem na casa. Falta-lhe, contudo, a sensibilidade para distinguir o essencial do acessório e de ver até onde o esticar da corda sufoca os mais fracos. E o de confundir o medo das pessoas com a manha preguiçosa dos sindicatos. Faz muito bem em não dar ouvidos à súcia que suga trabalhadores e estado há 30 anos, sejam eles CGTPs, Ugts ou quejandos. Mas precisaria de ouvir os professores e todos aqueles que dizem, "Queremos participar da mudança só não queremos desaparecer por causa dela".

7 de março de 2008

O QUE FAZ FALTA

Nos últimos tempos, a toda a gente que eu conheço: dinheiro.
A mim, também, mas o tempo juntou-se-lhe reclamando carência, raios o partam|

ps: Claro que o que faz mesmo falta... é avisar a malta... do que faz falta

29 de fevereiro de 2008

DOCUMENTÁRIO - URBANO - WORK IN PROGRESS

Hoje percebi, subitamente, que faço documentários como escrevo livros: mergulho impiedoso no coração das personagens, procuro a imagem que revela o que não se diz, junto duas fotografias aparentemente díspares, para criar significados que não pretendem ser mais do que formas de trazer à luz o invisível que alguém traz dentro. O melhor que posso, com o pouco que tenho.
Hoje, durante a montagem, fiquei mesmo contente de não ter dado ouvidos a quem me aconselha a não me meter nas coutadas privadas, neste caso, o cinema. Como se ir até ao fim de um trabalho criativo com a maior honestidade não tivesse qualquer valor.

18 de fevereiro de 2008

A RODA

Pode ser tudo invenção para reconfortar o medo do futuro, mas há uma figura do Tarot que me parece justa: A Roda.
Tudo se move, o bem e o mal, a prepotência e a justiça, os dias claros e os dias escuros.
E se esta crença torna melancólicos os dias felizes, também ilumina, debilmente, os que parecem não ter fim.

16 de fevereiro de 2008

ÉVORA 2

Foi muito emocionante voltar à Biblioteca Pública de Évora, tantos anos depois.
Serviu-me de refúgio muitas vezes nos conturbados anos de adolescência.
Fechava às 5h, se bem me lembro, o que me obrigava a ler a correr, antes de fazer a pé os 2 ou 3 quilómetros até casa. Mas voltava sempre.
Entrar nela agora guiado pelo seu actual director, José António Calixto, foi uma recompensa inesperada.
Toquei as prateleiras novas, em nome das velhas, agradecendo-lhes as horas, as breves horas, de alegria, desses tempos.
A repetir.

14 de fevereiro de 2008


RESPONSABILIDADE SOCIAL

Por razões que não vêm ao caso, fui convidado a pronunciar-me sobre o trabalho de sustentação social de uma empresa. Foi curioso, por ser um tema que me interessa há muito. A ideia que uma empresa deve devolver à comunidade de onde recolhe os seus lucros parte desse enriquecimento.
Não sei se o governo estará a preparar alguma lei nesse sentido, porque sinto movimentações no sector. Mas atendendo à escalada daquilo que os comunistas costumavam chamar, e bem, o "Capitalismo Selvagem", parece-me óbvio que a única coisa que as empresas vão fazer é arranjar esquemas de cobrarem aos clientes essa responsabilidade.
É curioso como no meio desta crise económica, da aflição que está a comer a maior parte da população portuguesa, as grandes empresas ainda se assanhem mais para ganhar dinheiro. Mas, basta observar a natureza para saber que o medo e a dor nos olhos do gamo só atiça mais a violência e voracidade do leão.
Na verdade, penso que estamos todos a cair pela ravina abaixo, predadores e presas misturados, mas se calhar tem de ser assim. Só lá em baixo, do meio das rochas afiadas é que a nova ordem poderá surgir.

13 de fevereiro de 2008

BIBLIOTECA PÚBLICA DE ÉVORA

Vou estar amanhã, 5ª, em Évora, a trocar ideias, em sessão pública e aberta, com o Grupo de Leitura da Biblioteca. O RIO DA GLÓRIA serve de mote para a conversa.
Quem andar pelo Alentejo e quiser ir (lá pelas 21h, suponho) até ao edifício da Biblioteca, poderá participar.

7 de fevereiro de 2008

FESTIVAIS

Uma das coisas que mais se diz aos seleccionadores e programadores de de cinema, é que se tem uma rica vida. Passar dias e noites a ver filmes parece o paraíso.
Tentando simplificar a explicação, peço apenas que imaginem um jantar com o vosso prato favorito, mas com uma sopa horrível e uma sobremesa banal. Agora, visualisem o que é comer essa refeição, em meia-dúzia de variantes, durante meses e meses.
É isso, programar festivais de cinema.
Gosta-se muito, mas não é nem fácil nem, frequentemente qualquer coisa parecida com entretenimento.
Como diriam os meus vizinhos do lado: "C'est du travail, quoi!"

5 de fevereiro de 2008

SUL DE FRANÇA

Em trabalho, fora do país, tudo me parece mais leve.
Até a mitologia difundida nos nossos media ganha a sua dimensão verdadeira, de narrativa fantasiosa.
Que bom, ser português fora de Portugal.

30 de janeiro de 2008

MINISTRA DA CULTURA

Sai um erro de casting e entra, sem casting, uma "pessoa culta, que se interessa pela música e pela leitura". Bom, pior não pode ser. Tivesse também desaparecido o sinistro secretário de estado e entrado alguém competente para o lugar dele e estaríamos todos mais confiantes.
Pode ser, mas à primeira vista, parece-me uma escolha de engenheiro: para a cultura vai um tipo simpático que goste dessas coisas e não se importe de perder um ano ou dois a ir à abertura do S.Carlos. Sobretudo, um que não faça o chefe de família perder tempo com excentricidades e saiba que o lugar da Cultura é no salão. Ali, onde as damas sorriem coquetes por detrás dos leques de seda.
Já estamos habituados.Se fosse alguém que nos desse esperança é que seria de admirar.

ps: afinal, o senhor da ópera também se foi embora. Veio uma chefe de gabinete, ou coisa parecida, de não sei onde para o lugar. Obrigado pela sua visão para a Cultura, senhor engenheiro.

23 de janeiro de 2008

RAIO DE LUAR

Acabo tarde, o meu pequeno-almoço. Culpa do Luiz Pacheco e de ter desenterrado da estante uma compilação de crónicas publicadas há uns tempos. Algumas escritas nos anos 90, julgo.
Mesmo morto me faz rir, o Pacheco. Mesmo da casa de repouso onde está a escrever ou, na maior parte dos casos, a lembrar, ele me devolve uma realidade que é a mesma, delicadezas semânticas à parte.
Leitores de bestsellers: corram às livrarias e perguntem pelo Luiz Pacheco. Vão ver que o vosso percurso entre as prateleira de livros vai mudar, quando no próximo Natal forem fazer as comprinhas.
Começo tarde, o dia de trabalho, mas não consigo evitar a satisfeita sensação de que já o ganhei.

21 de janeiro de 2008


O MUNDO É UMA CONSTRUÇÃO
Se houvesse frase que explicasse bem a forma como a academia portuguesa e, consequentemente, o pensamento dos seus teóricos que ocupam regularmente os lugares de decisão do país,seria esta, publicada numa coluna de opinião do Expresso:
""Não se pretende aqui discutir se esta medida é correcta ou justa, mas apenas perceber quais os argumentos que a poderão ter sustentado". Este professor da Universidade Católica (presumo, pelo título da coluna...)resume o pensamento português: não nos interessa a realidade mas a elaboração teórica sobre ela.
É este pensamento que conduz às decisões dos tribunais, à inutilidade do ensino universitário e ao fecho a tudo o que toque a vida em concreto, ou às tomadas de posição pública de vários sectores da sociedade.
Daí que o conceito de Justiça seja isso mesmo, um conceito. Para escrever sobre, palrar sobre, mas nunca para fazer nada pela sua imposição.
De onde concluo que o meu país não existe. O que existe é um boletim universitário chamado "Portugal".

17 de janeiro de 2008

JORNAL DO INCRÍVEL

O FANTASPORTO continua a esmagar-nos a todos com a sua capacidade de imaginar o presente. Além de ir apresentar um número de filmes quase igual a todos os que receberam, consegue ainda a proeza de exibir 87 (oitenta e sete) filmes portugueses. Ora sabendo nós que a produção de longas em Portugal é de cerca de 5 a 7 longas anuais e que as curtas (boas, más e inenarráveis) não excedem 30 ou 40, concluímos ir assistir a um acontecimento semelhante à Dança do Sol, de 1917.
Claro que se houver fiscalização do ICA, pode acontecer algo semelhante ao que se passou o ano passado com a bilheteira, onde o meio milhão de bilhetes anunciados baixou (borlas incluídas, muitas) para menos de 30 mil.
O seu director já perguntou publicamente por que razão não lhe dá o Estado ainda mais dinheiro para montar stands em Cannes e pagar anúncios inúteis e milionários na Variety a autoproclamar-se "O maior festival português".
O que se pode dizer perante todo este delírio?
Fantástico, seria o mínimo...
COISAS DA ROMÉNIA

Este é um dos países com um cinema mais possante, no momento. Para isso contribuem as suas escolas e a prática de filmar em 35mm, aliadas a uma atracção pelo cinema do real (por assim dizer).
Houve um filme divertidíssimo, feito há alguns anos, que mostrava o equívoco que é a caridade com os países "desfavorecidos". Falo do delicioso, "Ajuda Humanitária".
O seu realizador, entretanto, dedicou-se à música e criou esta banda de Nightlosers:

11 de janeiro de 2008

AVIOES E COISAS ASSIM

Nunca se sabe o que nos aterra em cima.
Há dias em que levantamos voo contentes. Pensamos em passados felizes e em dias futuros. E é precisamente quando estamos parados na rua, a sentir as pessoas e o que o mundo parece ser que o peso da aeronave nos cai em cima.
Só por sermos humanos é que do chão ainda conseguimos ver uma nesga de céu.
Só por isso.

7 de janeiro de 2008

QUESTÕES METODOLÓGICAS

"O Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos analisa hoje a legalidade da injecção letal, o meio de aplicação da pena de morte mais usado no paíS" in PÚBLICO

Parece que alguns membros do referido tribunal, na última festa em casa de Bush, terão chegado à conclusão que a coisa saía mais barata com tacos de basebol. Outros discordam, referindo que com o que se gasta em produtos de limpeza, vai a dar ela por ela.
Vamos lá a ver como é que vão passar a despachar os negros americanos daqui para a frente.

6 de janeiro de 2008

NA MORTE DE LUIZ PACHECO

Não li muito deste autor. Mas o suficiente para perceber que a fronteira entre a franqueza e a loucura era ténue. E ainda bem. Neste país de lesmas hipócritas, que somos todos, de uma maneira ou de outra, toda a voz que chame às coisas os nomes simples que elas têm, faz falta.

ps: apesar de lamentavelmente realizado, o documentário sobre o escritor que passou ontem na RTP2 permitiu entrever um pouco do espírito de Luiz Pacheco. Enquanto nos ríamos da sua ousadia tão fora do nosso tempo, batia-nos a melancolia de perceber que estamos definitivamente ancorados nesta praia.

3 de janeiro de 2008

O AGARRADITO

Foi patético o espectáculo que o Miguel S. Tavares deu de si, ontem à noite, na TVI.
Não que fosse surpreendente.
Mas ver uma pessoa inteligente e capaz de analisar bem tantas coisas que acontecem no país, tentar convencer os espectadores a boicotarem os seus restaurantes favoritos para pressionar uma alteração da lei, foi triste. E só reforça a ideia que toda a toxicodependência, por mais aceite socialmente que seja, não passa disso mesmo: uma droga que impede o raciocínio dos melhores.
O cartoon do jornalista e do Vasco Pulido Valente,no Inimigo Público da semana passada foi de génio.
HIPOCRISIA MORTAL

Há anos que chamo a atenção para o assunto,a imprensa, parte dela, acordou agora: o número apresentado de vítimas mortais em acidentes de estrada não corresponde à verdade. É apenas o número de pessoas que morre no local do acidente, registado pela GNR. Falta a este valor o das estradas controladas pela PSP. E, mais importante, as pessoas feridas gravemente que não resiste aos ferimentos. Se juntarmos estes valores, os números sobem para o triplo (rondará quase 3000 mortes anuais).
Então porque insistem a GNR, o Governo e as televisões a propagandear um número menor?
Os últimos por estupidez, por preguiça e por termos uma imprensa que se tornou acéfala, uma correia de transmissão dos vários poderes.
Os dois primeiros porque necessitam de justificar o cumprimento de um objectivo: reduzir o número de vítimas mortais. Como isso não se verificou, preferem "perspectivar" os números.
Se não fosse revoltante, esta manipulação, diria que é simplesmente triste.

2 de janeiro de 2008

SERVIÇO PÚBLICO

Parece que o novo acordo ortográfico já chegou à RTP. Pelo menos à N.
Leiam e se quiserem dEstribuam.

29 de dezembro de 2007

2008...

Por estes dias escreve-se pouco nos blogues. Neste blogue. Só me ocorrem coisas um bocadinho patéticas sobre a triste realidade nacional. O que não vale mesmo a pena.
Por isso, a menos que me lembre de alguma coisa realmente positiva, aproveito para desejar aos amigos, leitores e visitantes do blogue, um bom ano. Cheio de coragem. E se houver ainda mais coragem, de abertura aos outros e de dávida.

24 de dezembro de 2007

MERRY CHRISTMAS BIG BROTHER

Numa altura em que os jornalistas andam histéricos porque a partir do início do ano a lei os vai proibir de poluir os restaurante a bel-prazer, nenhum deles estranha uma outra alteração de consequências imprevisíveis. A partir de 1 de Janeiro as companhias de telecomunicações vão guardar e pôr à disposição de quem as souber recolher, as informações sobre as nossas comunicações e navegação pela internet. Num país dominado pela pequena corrupção de polícias, funcionários de tribunal e "serviços de informação" a soldo dos governos, não parece chatear ninguém que esta gente toda possa vasculhar no mais ínfimo dos nossos movimentos. A coberto da terrível necessidade de nos salvar de terroristas e de criminosos de toda a espécie, vai ser possível saber tudo: com quem falámos, durante quanto tempo, se visitámos o site dos amigos do Zoológico ou o Bigbreasts.com. Tudo. Claro que a lei "protege" o cidadão, baseado sobretudo na ideia que "quem não deve, não teme". Mas quando sabemos que milhares de pessoas já estão debaixo de escuta sem qualquer ordem judicial, que aqueles que recebem um salário para nos proteger ganham a vida a vender aos jornais as conversas das estrelitas do jet-set; os mesmos que fazem manifestações com cartazes com a figura do primeiro-ministro e a frase "Filho da Puta Mentiroso", teme-se o pior. O problema nunca é a bondade de uma lei, mas sim o uso que milhares de parasitas aguardam para lhe dar.
Isso, jornalistas, chateiem-se com o fim da tabacaria, quando os mais conhecidos de entre vocês virem os nomes escarrapachados nas publicações da concorrência debaixo de insinuações iníquas, vão perceber do que estou a falar.
Mas que digo eu? Algum deles lê isto? Não, está tudo a ler as publicações norte-americanas, a cena "trend", a meditar sobre a última atoarda de Santana Lopes, o-do-cabelo-lambido-por-um-cão.
Abrir os olhos para quê, quando se está tão habituado a correr à volta da cauda?

20 de dezembro de 2007

MAIS UM PINHEIRO

Para alguns ainda será cedo, mas para quem decorou hoje a árvore, é tempo de desejar a todos os amigos que por aqui passam, um Bom Natal.

14 de dezembro de 2007


FOI UM TRATADO!
(Como diria o meu pai quando quer ser sarcástico) Ia eu a entrar para o Metro, ou melhor, a tirar o bilhetinho de 75 cts, quando um senhor me murmurou qualquer coisa que não percebi. Paguei, a máquina larga o papelinho, mas antes que eu pudesse cometer um acto irreparável, um emigrante africano segura-me no braço, com ar feliz, e elucida-me: "Hoje é tudo de graça!" E era.Para comemorar o almoço no museu dos coches, a empresa pública abriu as portas "aos estimados clientes".
Vá lá que este mês não tinha comprado passe.

13 de dezembro de 2007

A CANETA DE PRATA

Os jornais televisivos destacam todos o essencial: o Tratado de Lisboa vai ser assinado com caneta de prata.
Parece que os nórdicos não estavam de acordo nem com a ideia de se usar uma de madeira exótica da Amazónia, nem com uma em plástico produzida na China por criancinhas a cantar o Hino à Alegria.
Teve mesmo de se usar uma de prata extraída por trabalhadores miseráveis em lugar indetectável da América do Sul.

10 de dezembro de 2007

O DISCURSO DE DORIS LESSING

Li no Le Monde, o discurso da Nobel da Literatura deste ano, Doris Lessing. Ao contrário de outros que nos encheram os ouvidos sobre a surpresa de ter chegado tão alto quando a vida parecia tê-los condenado em pequeninos à miséria, esta escritora mostrou-nos através de um texto comovedor como os anos a fizeram aproximar dos mais silenciosos. Dos que menos podem. E, sobretudo, da compreensão serena do mundo.
Alerta-nos para os perigos da iliteracia, mas também para a esperança naqueles que menos prezamos, e que passam fome na Índia ou no Zimbábue."Não sabemos como esta revolução (a Internet, os livros que não são lidos na sociedade excedentária em que vivemos) vai terminar.
A mim comove-me este murmúrio suave e poderoso. No meio do ruído que tantos tomam como sucesso.
Aqui, o discurso na íntegra e em versão original.


9 de dezembro de 2007

PERE LACHAISE

Por contingências de hotel e de um jantar com uma conhecida, lá fui visitar o túmulo do Jim Morrison, pejado de flores e garrafas de JB. De caminho avistei o do Oscar Wilde, coberto de grafites apaixonados ou da gratidão de muitos.
Mas o que me impressionou mais foi o silêncio e o esquecimento diante dos túmulos de banqueiros e escritores da Academie. Toda a vangloria que os perfumou em vida tinha desaparecido. Eram apenas pedras, cobertas de micro-organismos. Nada para quem passava como eu.

8 de dezembro de 2007

HOJE

...chovia e fazia um frio bestial em Paris.
Mas continuo a pensar que não me importaria de viver aqui.
Coisas...

6 de dezembro de 2007

WELCOME TO LISBON

Começa a chegar hoje, a longa lista de ditadores africanos. A maioria acompanhada por séquitos de seguranças, mulheres, amantes, e luxeiras várias. Para trás deixam a fome, a tortura, a violação dos direitos humanos e a consciência da sua incapacidade ou falta de vontade para arrancar os seus cidadãos da pobreza.
Portugal recebe-os engalanado, até arma tendas a alguns, habituados ao deserto, no chão de pedra dos fortes quinhentistas.
É a diplomacia global a aterrar no torrãozinho portuga.

5 de dezembro de 2007

ÁFRICA EM PORTUGUÊS

Em Moçambique, as campanhas dos telemóveis agitam-se. Este spot, que nasce de uma outra música, teve direito a sequelas e a contra-ataques da concorrência.
Vamos lá ver, afinal, quem é Patrão!

O LEVANTAR DO CHÃO

Comecei há uma semana ou duas a trabalhar num novo livro. Assim, devagar, umas folhas por dia, a tactear.
Uma pessoa próxima perguntava-me se seria um romance, se era o meu "próximo" livro. Encolhi os ombros porque não sabia responder. Estou apenas a ouvir as personagens, a testar os universo, as personagens dentro dos seus universos. É um trabalho "largo", como se percorresse as asas de um avião.
Mas uma coisa é passear nas asas outra é pô-lo no ar, com todo o seu peso.
Só os inconscientes atiram para o céu as toneladas de um romance sem motor.

3 de dezembro de 2007

O VERDADEIRO VENCEDOR DO FESTIVAL MICROFILMES

A popularidade tem destas coisas. Apesar de não ganhar nada, este foi o filme mais comentado do festival organizado pelas PF, este fim-de-semana:


O ESPAÇO DE CRIAÇÃO

Leio no Expresso que dois lugares de criação teatral vão fechar, o Karnarte e a Casa dos Dias d'Água. Conheço apenas o segundo, um belo espaço e cheio de actividades. Em ambos os casos, acabou-se o dinheiro da renda. Dito assim, soa a coisa pouca, mas as despesas fixas nunca são coisa pouca.
Pergunto a mim próprio por que razão a senhora do Hermitage não liberta um dos milhares de prédios devolutos do Estado e o coloca ao serviço destas companhias? Há casas e mais casas, palacetes e mais palacetes que estão vazios ou ocupados por departamentos que não lembrariam ao careca, pejados de pó, dossiers e funcionários a mais. Seria assim tão complicado permitir que os criadores os ocupassem para criar, livres de rendas de milhares de euros mensais?
Que nossa senhora da inteligência ilumine estas almas burrocratas...

ps: confirmo, pela leitura, o que suspeitava: famílias de classe média e (ex) média-alta recorrem ao banco alimentar para dar de comer aos filhos. Não é inesperado, mas ainda assim é triste. Agora, se estes que têm rendimentos acima da média estão endividados, imaginem os que vivem dos trabalhos que surgem ou procuram, a recibo verde e sem regalias nenhumas.

1 de dezembro de 2007

VIAGEM AO CORAÇÃO DOS PÁSSAROS

A Fnac do Chiado resolveu colocar à venda, a edição da Assírio.
Apesar de existir um acordo datado de há 5 anos em que todos os exemplares deveriam ser retirados do mercado, ainda assim fico contente por este não estar a ser cumprido.
À mingua de nova edição, ao menos, aquela estará disponível para os leitores.
É um livro de que gosto particularmente. Difícil para alguns, por reproduzir o falar madeirense (além de muitas invenções linguísticas e gráficas). É também um dos meus títulos que mais divide os leitores, entre os que gostam muito e os que acham que por ali não fui a lado nenhum. :)
Saber que está à venda, mesmo se não recebo um cêntimo de direitos, alegra-me. Por ele, pelo livro que pode assim encontrar com quem falar.

Ps: também avistei o novo título para miúdos QUERO IR À PRAIA, pela caminho. Vermelho e teimoso, na ilustração do Luís Henriques.

29 de novembro de 2007

WC, CASA DE BANHO, BANHEIRO, ASSEOS...

Graças ao Flávio, meu aluno de Criatividade Publicitária, que encontrou o link, posso anunciar que este blogue já dispõe de casa de banho.
Já não há razão para interromperem os comentários. Qualquer necessidade que não seja de expressão, é em baixo, ao fundo!

ps: a minha versão favorita, é a francesa.

27 de novembro de 2007

BOA

a entrevista do Ricardo A. Pereira ao José Mario Silva.
PRÉMIO NATURALIDADE

Para esta foto publicitária dos supermercados Lidl. Ao olharmos o fio que segura a barba e barriga do modelo podemos antecipar a reacção das criancinhas.




Por 7.99 euros, não está cara a vingança de nos azucrinarem a cabeça toda a noite...
VENDE-SE

Constipação forte, com tosse virada a norte, bem localizada. Febre com vista para cenas delirantes e uma boa resistência ao Paracetamol.
Trata o próprio.

ps: não atendo agências. Sobretudo mortuárias.

25 de novembro de 2007

JA NÃO HÁ PACHORRA

para o aeroporto de Madrid.
Pronto, já desabafei.
EL OBRERO DIGITAL

Uma revista online interessante é este "Obrero...".
Além do bom gosto das escolhas, escrevem bem. Veja-se, como exemplo, este pedaço, escolhido totalmente ao acaso, do último número: "Las letras portuguesas están en plena renovación, como demuestra del hecho de que cada vez aparacen autores más jovens e interessantes. Un bueno ejemplo lo encontramos en este libro que réune una grata selección de relatos y una cuidada novela corta. La literatura emocional e la inteligente se dan la mano en los textos de Possidónio Cachapa".
:) Agora a sério, saltando o detalhe/"xiste", a revista tem graça.

23 de novembro de 2007

ELES "ANDEM" AÍ

Há pouco, no metro, uma mulher jovem, sentada à janela, lançou um grito dilacerante. Como se lhe tivessem revolvido as entranhas. Depois continuou, calmamente no mesmo sítio, até chegar a estação final, onde saiu e se perdeu no meio da multidão. Estava vestida e penteada de forma absolutamente normal. E contudo, quem estava naquela carruagem percebeu que alguma coisa tinha "estalado" dentro dela.
Cada vez mais avisto gente a deambular pelas ruas, falando com inimigos imaginários que, a atender pelas expressões, os atormentam. Há muitos anos que não via tantos "loucos" na rua.
Isto só dá razão aos que acreditam que a pressão em que o país vive actualmente ou nos catapulta para o bem-estar ou nos matará de fome ou doença.
Para os mais fracos, é certo que não chegará a tempo a melhor das hipóteses.

22 de novembro de 2007

FALTA-ME O TEMPO

para o blogue, para levar a sério o que se diz no telejornal.
Recupero os dias que perdi a falar bem do meu país no estrangeiro, indo às finanças pagar multas, tentando que os compromissos de trabalho se mantenham de pé, e que a vizinha de baixo entenda que a razão porque um bocado do tecto lhe caiu não foi eu não estar em casa e de ninguém bater com portas ou martelos...
Passo nas livrarias e avisto os pontas-de-lança de consumo a que chamam "literatura". Alguém vai receber muitas folhas do mesmo...

De Espanha chega o interesse da crítica. O Agarrate a mi pecho en llamas faz um caminho mais auspicioso do que por cá. Santos de casa, já se sabe...

ps: permanece o mistério da não existência de transportes aéreos entre Portugal e a Galiza... Lá terei de ir perder mais uma malita para o aeroporto de Barajas (Madrid)...